Se tem algo que não podemos negar o quanto fazem parte do nosso dia a dia são as telas. Desde a chegada da televisão, depois os computadores, os celulares, tablets eles são parte da família e de nossas vidas. Porém o que vem preocupando os profissionais de saúde são os excessos, gerando até uma nova categoria de Parentalidade: a DISTRAÍDA.

A maior parte dos Pais do século XXI vivem conectados, seja por trabalho ou por lazer, nos mais diferentes tipos de telas. Quando falamos nas crianças, elas já nascem diante de um celular e já estão nas redes sociais expostas ao mundo. Os adultos admitem não conseguirem ficar sem seus smartphones e 35% reconhecem serem viciados em internet.

Hoje é muito comum observarmos os pais passeando com seus filhos no shopping, no restaurante, no parque, no clube e a criança tendo que disputar atenção com o aparelho que não sai da mão dos adultos. Muitas vezes a tela eletrônica está nas mãos do filho para acalmá-lo e distraí-lo. Fato é que esta nova geração está crescendo com uma cultura diferenciada.

Quando nós adultos estamos diante de um ser humano em desenvolvimento, devemos lembrar que somos espelho para as atitudes e comportamentos deles. Se dentro de nossa família damos mais importância aos objetos como televisão, celulares e etc, dedicamos mais atenção ao que está sendo mostrado nas telas do que o que é dito ou feito dentre os membros do sistema, ensinamos as crianças estes valores e elas também irão se comportar da mesma maneira.

As interações no mundo real estão cada vez mais diminuindo. O diálogo, tão essencial para os relacionamentos está sumindo. A necessidade de ser ouvido, a troca do olho no olho é essencial para o ser humano. As crianças desde muito pequenas necessitam desta conexão com os adultos para desenvolverem seus repertórios tanto verbais quanto de capacidade de fazer leitura das expressões faciais e corporais.

Se desejamos ter filhos criativos, empreendedores, que saibam se relacionar com as pessoas, que encontrem a felicidade e satisfação nos relacionamentos tanto sociais quanto pessoais devemos estimulá-los a expandir dando a eles a nossa presença íntegra nos momentos de lazer e dentro de casa. É impossível criar filhos realizados nestes quesitos que são ignorados pelos pais que estão sempre ocupados com seu trabalho no celular ou computador ou distraídos nas redes sociais e séries da televisão.

Crianças que crescem com uso excessivo de celulares e televisão possuem tendência a obesidade, sedentarismo, insônia. Também desenvolvem maior agressividade, impulsividade, hiperatividade e problemas de atenção. As consequências no decorrer dos anos levam à depressão, isolamento e aumento de uso de drogas e álcool na adolescência. Quanto mais tempo diante das telas, mais infelizes as crianças estão ficando.

Não conseguimos estar 100% do tempo presente com as crianças, porém, é possível entregar pequenos momentos do dia a dia com qualidade pela intensidade que são vividos. Cada fase deles é única e não volta mais, assim como a de nossas vidas também. Entretanto, tem uma que só poderemos vivenciar uma vez na vida: A INFÂNCIA. Não permita que a tecnologia roube a presença dos pais de seus filhos na fase mais bela e decisiva de suas vidas.

Dami Côrtes, Especialista em Famílias, Psicologia Relacional Sistêmica, Psicologia do Desenvolvimento, Neuropsicologia aplicada à Neurologia Infantil, Psicologia Positiva, Mindfulness e Inteligência Emocional.