Elogiar as crianças pelos seus feitos muitas vezes sai naturalmente e os deixa super animados. É uma forma de nós adultos demonstrarmos o quanto estamos orgulhosos dos avanços infantis e também de incentivá-los. Mas será que elogiar o tempo todo é ruim? A longo prazo sim.

O chamado reforço positivo na Psicologia diz respeito a recompensar atitudes positivas para que estas sejam repetidas pelo indivíduo. Quando falamos em Psicologia Positiva muitas pessoas pensam que ela apenas enfatiza o sentir-se bem e, para a educação ser positiva basta afirmar positivamente e reconhecer o tempo inteiro os acertos do outro. Acredita-se que desta maneira elevamos a autoestima dos pequenos, assim como a autoconfiança em si.

Há diferenças sutis, porém essenciais e que influenciam totalmente os resultados no decorrer dos anos de desenvolvimento: elogiar a criança e elogiar o seu desempenho, ou seja, o resultado do processo de sua performance. Quando elogiamos as qualidades da criança, por exemplo, dizendo que ela é muito inteligente ou está muito linda, desmerecemos o processo em si realizado por ela, perdendo a oportunidade de encorajá-las. E qual é o problema disto? Está ligada a crença da criança de conseguir algum feito por SER algo e não por TER SE ESFORÇADO para a conquista. Ela passa a acreditar mais no que os outros acham sobre ela do que em focar no seu próprio processo de sucesso, tornando-se dependente das opiniões alheias sobre quem é.

Focar no interno da criança, no que ela fez para obter determinada conquista é o segredo para motivá-la de forma saudável e encorajadora a ir além. Se o pequeno realizou alguma tarefa difícil, seja a montagem de algo difícil, venceu um jogo, foi muito bem em um teste, ao invés de dizermos o quanto é inteligente, maravilhoso (qualidade passiva) ou o quanto está orgulhoso (elogio de aprovação), dê espaço ao reconhecer o quanto ele se desenvolveu para ter esta conquista. Pergunte se ele está orgulhoso de sua realização. Assim fica mais fácil de ele assimilar que, quando nos esforçamos para determinadas tarefas, conseguimos nos sair bem. Se não nos empenhamos, os resultados serão diferentes pois não basta apenas SER.

Este processo deve ser prazeroso para a criança, para que ela se sinta satisfeita consigo mesma e não para agradar aos outros ou ser aceita. A motivação interior não pode ser movida pela força que recebemos de fora, ela vem de dentro. Uma criança autoconfiante topa desafios cada vez maiores pois reconhece que a superação está ligada aos seus esforços pessoais.

E se eu elogiar sem querer? Não tem problema! Porém o encorajamento é um treino diário e deve ser a maioria. O elogio nos faz sentir amados, porém, para a construção da identidade infantil, o poder em si mesmo vem do encorajamento que recebemos de nossos familiares mesmo quando não alcançamos o objetivo desejado. A meta nunca será ser perfeito, é saber que com empenho sim, podemos evoluir e ir além, sempre.

Dami Côrtes, Especialista em Famílias, Psicologia Relacional Sistêmica, Psicologia do Desenvolvimento, Neuropsicologia aplicada à Neurologia Infantil, Psicologia Positiva, Mindfulness e Inteligência Emocional.