Lá está você com a sua família e vem aquele comportamento da criança e junto com ele o constrangimento por não saber COMO lidar. Cada um dá uma opinião e, quanto mais todos tentam resolver o problema, mais a criança se desespera. Atire a primeira pedra quem já não passou por esta cena. Um dos recursos muitas vezes utilizado pelos pais é o da punição.

No decorrer da história da humanidade, a punição foi muito utilizada e ainda é, apesar de menor escala. Entretanto, através das pesquisas em Neurociências podemos afirmar que estas, a longo prazo, podem ter efeitos negativos no desenvolvimento cerebral. Acontece que, quando punimos algum comportamento infantil negativo retirando algo positivo (castigo por exemplo) ou a repreendendo (verbal ou fisicamente) de maneira que desperte o medo, não conseguimos fazer com que ela aprenda um comportamento melhor, mas sim que apenas evite aquela punição. Significa que irá fugir deste comportamento, criando outro!

As respostas estressantes dadas pelas crianças além de não alterarem o comportamento em si (pois sempre surgirão novas maneiras de manifestação) aumenta a produção de cortisol pelo medo da ameaça, da mesma maneira que respondemos a situações de perigo extremo: ou lutamos ou fugimos. Acontece que esta produção hormonal gera uma diminuição da massa cinzenta e células do tecido conjuntivo que se localizam dentre as células do cérebro.

Quando falamos em massa cinzenta, estamos nos referindo a parte do SNV (sistema nervoso central) responsável pela inteligência e habilidades do aprender, tais como: fala, controle muscular, emoções, percepção sensorial e memória. Há uma ligação entre punições físicas e traumas com elevação da agressividade infantil, comprovada a longo prazo por pesquisadores da área.

Ao refletirmos sobre o processo de educação devemos ter em mente de que, para termos efeitos no futuro não devemos apenas focar na extinção da dificuldade neste momento e sim na busca da resolução do problema e seus efeitos positivos no decorrer do desenvolvimento. O ato de punir resulta em rebeldia, gera ressentimentos, reduz a autoestima e desperta a dissimulação através do recuo momentâneo que retorna de outras maneiras.

E como podemos reduzir e ensinar novos comportamentos? Desenvolvendo conexão, poder pessoal (lembra do encorajamento que eu falei no artigo anterior?) e estimulando a autonomia através da capacitação. Quando permitimos que os pequenos contribuam com suas habilidades eles sentem-se pertencendo, suprindo uma necessidade social que todo o ser humano busca pela vida afora.

Dami Côrtes, Especialista em Famílias, Psicologia Relacional Sistêmica, Psicologia do Desenvolvimento, Neuropsicologia aplicada à Neurologia Infantil, Psicologia Positiva, Mindfulness e Inteligência Emocional.