Eles vivem em torno dos filhos, superprotegem para que a criança sinta o menos possível qualquer tipo de desapontamento. Tem algum destes girando em torno por aí? São os chamados Pais Helicópteros.

Este termo surgiu para designar uma geração de Pais que educam com extrema permissividade e justificam os seus comportamentos emocionais excessivos no respeito aos desejos e natureza da criança com muito amor. Nesta filosofia está permitido fazer de tudo pelos filhos no momento em que forem solicitados.

Todo pai quer o melhor para seu filho e o faz nesta intenção. Os pais helicópteros não são diferentes. Acreditam que quanto mais estiverem resolvendo os problemas dos seus filhos, mais seguros e amados eles se sentirão.

Entretanto, não é bem assim que funcionam os efeitos deste tipo de educação. Quando retiramos as crianças do desafio, da dificuldade roubamos delas a oportunidade de descobrir por si própria estratégias para resolver suas demandas naturais do dia a dia.

Estes pequenos se desenvolvem em um ambiente aonde seus pais os servem o tempo todo, ficando a criança sem espaço para tentar e treinar suas habilidades sociais. Nesse sistema a criança sempre vence, não precisa lidar com desapontamento, com fracassos, com dificuldades, tem sempre um adulto para fazer para ela e retirar o obstáculo.

Também não há desenvolvimento de tolerância, já que a regra desde o nascimento é atender instantaneamente a satisfação do desejo infantil, sendo assim, não se aprende a evitar prazeres momentâneos em prol de uma conquista a longo prazo.

Neste lar também não há conflitos, pois a criança é sempre ouvida em primeiro lugar e impõe a sua vontade, afinal ela dificilmente irá ceder por ser criança e não compreender, como acreditam os pais helicópteros.

Na prática, a consequência deste tipo de criação permissiva e super protetora é a fragilidade. Este tipo de criança não se torna um adulto confiante e seguro, como seus pais acreditam e sim, totalmente ao contrário. Transformam-se em jovens que não possuem habilidades sociais básicas para manter relacionamentos e gerenciar os conflitos naturais do dia a dia.

Existem aspectos da vida humana que são inevitáveis a qualquer mero mortal, tais como o fracasso, as quedas, as dificuldades, as divergências, os erros até chegarmos às conquistas dos acertos. Quando falamos de ambiente escolar e de trabalho sabemos que estas questões são corriqueiras e é aonde de fato iremos lidar com o diferente de nós. Mas como lidar com as diferenças se nunca aprendemos a como respeitar os limites do outro?

Os filhos de pais helicópteros são adultos que esperam ser sempre muito bem recompensados independente do quanto se dedicaram ou se esforçaram pois cresceram recebendo muito e investindo pouco ou quase nada. Não sabem lidar com seus erros pois nunca erraram, não tiveram a oportunidade de tentar, sendo assim possuem baixa inteligência emocional, desmoronando literalmente diante de obstáculos e desistindo quando algo exige empenho deles.

Para que tenhamos a oportunidade de desenvolver uma carreira de sucesso profissional, por exemplo, precisamos de autoconfiança, auto responsabilidade, autoestima, autossuficiência. Quem é educado por pais helicópteros não desenvolveu a auto competência, pois a mensagem passada sempre era que não era capaz, não era suficiente e por isso precisava de alguém que fizesse por ela.

Segundo pesquisas, a “criação-helicóptero” tem contribuído para um índice a cada dia mais alto de depressão entre jovens somados com uma incapacidade de ter um desempenho satisfatório no local de trabalho.

A melhor forma de amar é conduzir os filhos da dependência para a independência, lugar aonde irão circular na vida adulta. Se criamos crianças para funcionarem bem dentro do sistema familiar, priorizando apenas ela, a colocando como centro de tudo, estaremos enviando um ser totalmente desprovido e desprotegido para o mundo. Que ironia! A intenção era proteger? Lembre-se que na vida adulta você não estará ao seu lado nem poderá ir resolver suas dificuldades, será inadequado para um adulto. Muitas vezes durante o desenvolvimento, estar presente apenas observando de longe os erros e acertos das crianças é a mais saudável contribuição que você pode dar para a sua vida.

Dami Côrtes, Especialista em Famílias, Psicologia Relacional Sistêmica, Psicologia do Desenvolvimento, Neuropsicologia aplicada à Neurologia Infantil, Psicologia Positiva, Mindfulness e Inteligência Emocional.