Desde o momento que recebe a confirmação de que está gravida, a mente feminina inicia um processo de elaboração para a nova condição que nascerá junto com o bebê, a de SER MÃE. Sabemos que em todas as nossas experiências humanas, as expectativas fazem parte desta organização mental, porém, nem sempre condizem com o que de fato se torna realidade. Muitas mulheres sonham com um tipo de maternidade que na prática se torna distante do real e isso gera o que chamamos de frustração. Mas será possível conduzir um maternar mais leve?

Se tornar mãe é uma das experiências humanas mais incríveis anatomicamente falando. Todo o corpo da mulher foi projetado para que diversas transformações aconteçam no decorrer dos 9 meses de gestação. O bebê se desenvolve no ventre enquanto o corpo se adapta para acomodá-lo e enviar todos os nutrientes necessários. Enquanto isto a mãe aguarda ansiosamente pelo dia de pega-lo no colo. E pode ser aí que comecem as suas decepções, no dia da chegada deste grande amor.

Pode ser que nem tudo ocorra conforme o planejado. Muitas queriam parto normal e tiveram que fazer cesariana, outras o contrário. Algumas nem conseguiram montar o quartinho pois o bebê se antecipou dias, meses e teve que ficar no hospital. Talvez o sonho era amamentar mas não produz leite o suficiente. Ou quem sabe a quantidade de leite não seja o problema e sim a dor insuportável nos seios. Pensava que a introdução alimentar era apenas dar a papinha” e se depara com rejeição dos alimentos.  Cada mulher tem o seu tipo ideal de Mãe e, na maioria das vezes, percebe assim que se torna mãe que a real está bem longe daquilo que sonhava ser.

Vivemos em uma sociedade que cultiva e cobra constantemente a perfeição, principalmente das mulheres. Entretanto, quando falamos de maternidade estamos falando do fluir da natureza, algo que nem sempre está sob nosso controle. Queremos ser perfeitos, desejamos ter filhos perfeitos, porém esquecemos que um dos traços do ser humano é a imperfeição. A mãe real decepciona a mãe idealizada exatamente por isto, no imaginário da grande parte das mulheres, a mãe ideal é perfeita.

Diante das imperfeições e insuficiências normais de nós seres humanos, mães sofrem caladas, sozinhas e se culpam por não conseguirem ser aquilo que gostariam ou acreditam existir. Nosso cérebro tem uma enorme tendência em supervalorizar o negativo e se concentrar naquilo que não deu certo. Isso tudo por causa das expectativas, que nada mais são do que antecipação ansiosa da previsão do futuro. Aceitar que a maternidade é uma caixinha de surpresas e que não podemos controlar os fatos mas devemos buscar sempre aprendizado para evolução interior pode fazer total diferença.

O que acontece é que a maioria das mães idealizam um tipo de relacionamento com seus filhos porém poucas buscam orientação para levantar as possibilidades, se munir com ferramentas para enfrentar o que vier da melhor maneira possível. Conhecer a rotina de sono dos bebês por exemplo, nos dá suporte para lidar com eventuais dificuldades na hora de dormir. Assim como buscar desenvolver a sua inteligência emocional, fortalecer os seus pontos fortes e criar habilidades para melhorar os pontos fracos, tão importante na hora de lidar com os comportamentos desafiadores infantis do dia a dia.

Busque suas competências positivas, abrace-as. Valorize o que deu certo, busque alternativas para o que não saiu como o esperado, sem culpas. Jogue as expectativas fora e viva o agora. Que tipo de mãe que deseja ser lembrada pelo seu filho? Aquela insatisfeita, sempre de mau humor, frustrada que julga constantemente ou aquela bem-humorada que tem sempre uma saída quando nem tudo vai bem? Lembre-se que é o que você expressa, dia após dia, através das suas emoções na linguagem corporal que ensina a eles como ver a vida e a serem também.

Dami Côrtes, Especialista em Famílias, Psicologia Relacional Sistêmica, Psicologia do Desenvolvimento, Neuropsicologia aplicada à Neurologia Infantil, Psicologia Positiva, Mindfulness e Inteligência Emocional.